Dirigente diz que fará tudo para que chileno não se abale após episódio, mas reconhece: 'Infelizmente, é a nossa realidade'
A primeira reação do meia Valdivia, do Palmeiras, no dia seguinte ao sequestro-relâmpago que sofreu na noite de quinta-feira, foi deixar o Brasil. Motivado por um pedido de sua esposa, Daniela, que o acompanhava na hora do assalto, o jogador retornou ao Chile para se recuperar do choque. Essa atitude do chileno alimentou especulações de que ele vai deixar o clube. No entanto, o gerente de futebol César Sampaio garantiu que não há chances do meia sair, principalmente agora que seus problemas físicos foram solucionados.
– Muito pelo contrário. A parte clínica era a mais preocupante, e os nossos profissionais, nosso departamento médico e os fisiologistas, conseguiram entender o problema em um exame minucioso. Fizeram um trabalho específico para ele estar apto o maior tempo possível e contribuir com a gente. O rendimento esportivo não tem nada a ver com esse fato pontual – afirmou o dirigente.
O retorno de Valdivia ao Palmeiras está previsto para segunda-feira, quando ele deve conceder uma entrevista coletiva para falar sobre o sequestro. Ressaltando a importância do Mago para o clube, Sampaio admite: será necessário dar atenção especial ao atleta, para que ele supere o trauma e possa ajudar a equipe na sequência do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.
– Achamos muito prematuro tentar analisar como será o retorno, não dá para tomarmos decisões antecipadas. Eu já digo que o Palmeiras não quer se desfazer do Valdivia. Queremos que ele esteja bem aqui e vamos fazer de tudo, dentro dos recursos que possuímos, para que ele recupere a parte emocional – disse.
Nos próximos dias, o Palmeiras dividirá as atenções entre as duas competições nacionais que disputa atualmente. Pelo Brasileiro, encara o Atlético-MG neste sábado, às 21h, no estádio do Pacaembu, com o desfalque certo de Valdivia. Já na próxima quarta, viaja a Porto Alegre para encarar o Grêmio, no estádio Olímpico, pelo jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil. A expectativa é de que o meia esteja em campo contra os gaúchos.
Vítima de um sequestro-relâmpago em 1993, quando ainda era jogador de futebol, César Sampaio acredita que, infelizmente, episódios como esse são normais no Brasil.
– Eu morei no Japão. Comentava com eles sobre tsunamis, terremotos, episódios que eles viviam por lá. E eles me diziam: 'No Brasil, vocês param no farol e te dão um tiro'. Infelizmente, é a nossa realidade. É preciso não se expor em determinados horários, se preservar, parar o carro sempre no estacionamento. Enfim, um roteiro natural, para nós que estamos expostos a isso – analisou.
Valdivia passou cerca de três horas em poder do sequestrador. Deixado em uma loja próxima ao CT do Palmeiras, acionou a Polícia Militar, mas pediu que os oficiais não dessem maiores detalhes sobre o caso.



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