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terça-feira, 19 de junho de 2012

Ex-jogadores relembram título épico da Copa do Brasil de 1996


Há 16 anos, o Cruzeiro, de forma surpreendente, vencia o Palmeiras,
em pleno Parque Antártica, e conquistava o bicampeonato da competição

O Cruzeiro comemora, nesta terça-feira, 19 de junho, os 16 anos da conquista do bicampeonato da Copa do Brasil. A vitória sobre o Palmeiras, na grande decisão, é lembrada pela torcida cruzeirense até os dias de hoje, pela dramaticidade envolvida no jogo, que teve vários heróis, como o goleiro Dida e os atacantes Marcelo Ramos e Roberto Gaúcho, autores dos gols do triunfo azul por 2 a 1, em pleno Palestra Itália, em São Paulo. O técnico do Cruzeiro era o paranaense Levir Culpi.
O time paulista era considerado favorito absoluto na partida final. Tinha conquistado o Campeonato Paulista, com uma campanha impecável. Em 30 jogos, ganhou 27 e só perdeu um, além de ter atingido a incrível marca de 102 gols marcados. O Palmeiras aplicou várias goleadas, algumas históricas, como os 6 a 1 na Ferroviária, os 7 a 1 no Novorizontino, os 8 a 0 no Botafogo-SP, os 6 a 0 no América-SP, e os inesquecíveis 6 a 0 sobre o Santos, dentro da Vila Belmiro.
O primeiro jogo da final, no Mineirão, terminou empatado por 1 a 1, gols de Cláudio, para o Palmeiras, e Marcelo Ramos, para o Cruzeiro. Na partida de volta, os paulistas saíram na frente, após um começo fulminante, com um gol de Luizão. A Raposa empatou, ainda no primeiro tempo, com Roberto Gaúcho, e virou, a oito minutos do fim, com Marcelo Ramos.
Campanha
Célio Lúcio estava na campanha vitoriosa de 1996 (Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)Célio Lúcio estava na campanha vitoriosa de 1996
(Foto: Marco Antônio Astoni / Globoesporte.com)
Para conquistar o segundo título na Copa do Brasil, o Cruzeiro teve um caminho difícil. Na primeira fase, eliminou o Juventus-AC, mas, depois, enfrentou somente times de ponta. O adversário das oitavas de final foi o Vasco, e o Cruzeiro venceu o jogo de ida por marcantes 6 a 2, em São Januário. Nas quartas de final, o time de Levir Culpi eliminou o Corinthians, com direito a mais uma goleada, 4 a 0, no Independência. Um dos gols foi marcado pelo zagueiro Célio Lúcio, hoje funcionário do Cruzeiro, que se lembrou com orgulho do fato.
- Não dá pra esquecer. Já tinha cinco anos de profissional no Cruzeiro e brincava com as pessoas que não tinha feito nenhum gol. Foi emocionante para mim. Eu fiz muitos gols na carreira, apenas quatro. E desses quatro, o primeiro foi esse, contra o Corinthians.
Nas semifinais, o duelo foi com o Flamengo, em dois jogos muito equilibrados, que terminaram empatados. No Maracanã, 1 a 1, e, no Mineirão, 0 a 0, com um público de 84.414 pagantes. O gol marcado fora de casa levou o Cruzeiro à decisão.
- Foi um dos títulos mais importantes da minha vida. Este e o da Supercopa da Libertadores, também pelo Cruzeiro, em 1992. Até hoje, as pessoas se lembram desse título, não somente em Minas Gerais, mas no Brasil inteiro. Está em minha lembrança também, com muito carinho. Onde eu vou, falam comigo daquela vitória, relembrou Roberto Gaúcho, atualmente comentarista da RBS, em Santa Catarina.
Finalíssima
Fotos Nonato, ex-jogador do Cruzeiro (Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)Nonato explicou a estratégia para vencer o título
(Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)
Assim como no Estadual, o Palmeiras também havia feito bonito nas fases iniciais da Copa do Brasil. A campanha até a final foi tranquila. Na primeira fase, 8 a 0 no Sergipe, dentro de Aracaju. Nas oitavas de final, duas vitórias sobre o Atlético-MG, uma delas por 5 a 0, no Palestra Itália. A vítima das quartas de final foi o Paraná Clube, batido duas vezes. Nas semifinais, um pouco mais de dificuldade. Uma vitória e uma derrota para o Grêmio, tradicional rival do Palmeiras nos anos 1990, e classificação no saldo de gols.
Os números impressionantes e a quantidade de estrelas no elenco credenciavam o Palmeiras ao título. Alguns jornalistas apontavam o time de Cafu, Cléber, Júnior, Elivélton, Djalminha, Luizão e Rivaldo como franco favorito à conquista. O empate no Mineirão aumentou ainda mais essa convicção, já que os paulistas ainda não tinham perdido no Palestra Itália na temporada.
- Sabíamos que o Palmeiras vinha de uma campanha excelente no Campeonato Paulista, tinha feito mais de cem gols. A única maneira de motivar foi conversar individualmente com os jogadores. ’Dida, você se acha pior que o Velloso? Não. Vitor é pior que o Cafu? Não. Era a única maneira. Teve um caso também da chuteira do Cláudio, que tinha uma novidade com as cores dos times, e o Luxemburgo falou para ele não usar e deixar para o jogo das faixas. Fiquei sabendo disso e usei também na preleção, afirmou o ex-lateral-esquerdo Nonato.  
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ConfrontoFase
Juventus-AC1x1CruzeiroPrimeira
Cruzeiro4x0Juventus-ACPrimeira
Vasco2x6CruzeiroOitavas
Cruzeiro1x1VascoOitavas
Cruzeiro4x0CorinthiansQuartas
Corinthians3x2CruzeiroQuartas
Flamengo1x1CruzeiroSemifinais
Cruzeiro0x0FlamengoSemifinais
Cruzeiro1x1PalmeirasFinais
Palmeiras1x2CruzeiroFinais
A vitória do Cruzeiro entrou para a história, assim como a atuação decisiva do goleiro Dida, responsável por, pelo menos, quatro defesas milagrosas naquela noite. O Palmeiras pressionou de todas as formas, usou o talento de seus jogadores, mas não conseguiu ultrapassar a barreira celeste.
Comandado pelo habilidoso armador Palhinha e pelo raçudo volante Fabinho, o Cruzeiro teve tranquilidade para cadenciar o jogo e esperar a hora certa para dar o bote e sair de campo vitorioso.
- Marquei o primeiro gol, o de empate. Recebi a bola na linha de fundo e toquei para o Palhinha que errou e entregou para o volante Amaral, do Palmeiras. Só que o Amaral também errou, e eu me aproveitei, entrei em diagonal e bati forte, no canto de Velloso. Foi muito especial. No segundo gol, também tive participação. Eu que cruzei a bola para o Velloso soltar no pé do Marcelo Ramos, disse Roberto Gaúcho.
Os heróis daquela conquista são lembrados com carinho pela torcida cruzeirense até hoje. Ainda mais porque o título da Copa do Brasil deu ao Cruzeiro a vaga na Taça Libertadores de 1997, também vencida pela Raposa. Marcelo Ramos foi eternizado na Calçada da Fama do clube, por ter feito 163 gols com a camisa azul, o quinto maior artilheiro da história do clube. O atacante baiano não se esquece das conquistas e dos gols marcados pelo time mineiro.
PALMEIRAS 1 X 2 CRUZEIRO
Velloso; Cafu, Sandro, Cléber e Júnior; Cláudio (Reinaldo), Amaral, Marquinhos (Cris) e Djalminha; Luizão e Rivaldo. Dida; Vítor, Gélson Baresi, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Palhinha (Edmundo) e Roberto Gaúcho; Marcelo Ramos e Cleison. 
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.Técnico: Levir Culpi.
Motivo: segunda partida da decisão da Copa do Brasil. Data:19/6/1996. Local: Parque Antártica, em São Paulo. Árbitro: Sidrack Marinho dos Santos (SE).
Cartões amarelos: Cláudio, Júnior, Sandro e Luizão (Palmeiras); Cleison e Fabinho (Cruzeiro).
Gols: Luizão (Palmeiras), aos 5 minutos, e Roberto Gaúcho (Cruzeiro), aos 25 minutos do primeiro tempo; Marcelo Ramos (Cruzeiro), aos 38 minutos do segundo tempo.

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