Atacante aproveita bom momento no Peixe e busca tranquilidade no Deck do Pescador, em Santos
A pesca é um esporte que requer técnica e conhecimento, mas também muita paciência. Às vezes, o mar não está para peixe e o desafio maior é o de aguardar o tempo que for necessário até a captura. Paciência é também a palavra que define bem quem é Alan Kardec. Mesmo em meio às seguidas decisões pelo Santos e as incertezas sobre seu destino após 30 de junho - quando se encerra seu contrato de empréstimo com o Peixe - o atacante mantém a tranquilidade e o tom de voz sereno. Não à toa, a pesca é a atividade preferida do jogador nos (raros) momentos para descanso na cidade.
- Comecei (a pescar) com o meu pai, quando tinha oito anos. É uma atividade que requer sorte. Muita gente daqui de Santos já conhece os bons locais para a pesca, enquanto eu ainda estou aprendendo. Então, já aconteceu várias vezes de não pegar nada (risos). Costumo também ir a São Vicente, no pesque-pague. Lá acaba sendo mais fácil, né? (risos) - brincou o atacante, enquanto se aventurava em uma pescaria na Ponta da Praia, em Santos.
Comecei (a pescar) com o meu pai, quando tinha oito anos. É atividade que requer sorte"
Alan Kardec
A 'aventura' de Alan Kardec no Deck do Pescador santista não foi das mais bem sucedidas, é verdade: após quase meia hora pescando - e uma isca 'perdida' para os peixes -, o atacante voltou para casa com as mãos abanando. Mas nem sempre foi assim, garante o jogador. Ele recorda, por exemplo, da época em que atuava pelo Benfica-POR (clube ao qual ainda pertence), e 'fez a festa' nos mares de Setúbal, cidade do litoral português. E assegura: não é história de pescador.
- Eu e o Jardel (zagueiro brasileiro do Benfica) fomos um dia pescar em Setúbal. Chegando lá, fomos a uma costa onde vimos os pescadores locais pegando uns peixes enormes. Ficamos por lá e também aproveitamos: pescamos 23 peixes! Às vezes, vinham até dois por anzol. Quando chegamos em casa, foi uma hora e meia limpando peixe - recorda o jogador.
Que fase!
Se Kardec ainda está atrás da pescaria perfeita, em campo o atacante vive o melhor momento da carreira. Desde a vitória por 3 a 1 sobre o São Paulo, nas semifinais do Campeonato Paulista, o atleta é titular do ataque do Santos ao lado de Neymar, desbancando Borges, artilheiro do Peixe no Campeonato Brasileiro do ano passado. Além disso, o jogador é o segundo principal goleador alvinegro no ano, com 11 gols - atrás somente de Neymar, que já marcou 27 vezes. Uma fase que o próprio Kardec credita justamente ao atributo que faz a diferença na pesca: a paciência.
Se Kardec ainda está atrás da pescaria perfeita, em campo o atacante vive o melhor momento da carreira. Desde a vitória por 3 a 1 sobre o São Paulo, nas semifinais do Campeonato Paulista, o atleta é titular do ataque do Santos ao lado de Neymar, desbancando Borges, artilheiro do Peixe no Campeonato Brasileiro do ano passado. Além disso, o jogador é o segundo principal goleador alvinegro no ano, com 11 gols - atrás somente de Neymar, que já marcou 27 vezes. Uma fase que o próprio Kardec credita justamente ao atributo que faz a diferença na pesca: a paciência.
- Sempre soube esperar meu momento. Nunca me precipitei, nunca procurei me expor publicamente reclamando ou questionando por não jogar. Sempre tive tranquilidade. Acho que isso vem da minha mãe, que é de uma calma que ninguém acredita (risos). Tem momentos que você vai jogar e tem os que a opção será por outro jogador. Não tem que ter tanto essa preocupação, ainda mais em um grande elenco como esse do Santos - considera.
Mas tal paciência não se resume a aguardar a oportunidade. Para que ela chegue, é preciso trabalhar - e não se fala apenas de comparecer religiosamente aos treinos, mas também aprimorar a técnica observando os demais companheiros. Segundo Kardec, foi assim que conseguiu se desenvolver como centroavante e até como opção para outros setores do campo, tal qual as pontas e mesmo a armação – posição para a qual pode ser recuado nas semifinais da Libertadores, em substituição a Paulo Henrique Ganso, como já ocorreu em alguns jogos no ano passado.
- Procuro sempre estudar os jogadores com quem eu treino. No Benfica, observava bastante o (Pablo) Aimar, que é meia. Isso me ajudou a saber como atuar mais perto do meio-campo. Em Portugal, eu era reserva do (Oscar) Cardozo, e o acompanhava bastante. É um centroavante goleador. Muitos diziam que ele era 'paradão', mas a verdade é que ele sabe como se posicionar. Eu procurava aprender com ele, como faço até hoje com o Borges. Poucos finalizam como ele, é um grande jogador - relata o atacante.
E a final?
Essa sobriedade é também o que Kardec precisa para administrar a atual incerteza sobre seu futuro. Com o contrato de empréstimo ao Santos perto do fim, o jogador tem a intenção de seguir no Peixe, mas para isso depende do Benfica. O time português já rejeitou prorrogar a cessão do atacante por um período mais longo, e o Alvinegro Praiano corre atrás de, pelo menos, estender a ligação com a equipe santista por mais quatro dias. É que o empréstimo de Kardec ao Santos se encerra quatro dias antes do jogo de volta de uma possível final da Libertadores.
Essa sobriedade é também o que Kardec precisa para administrar a atual incerteza sobre seu futuro. Com o contrato de empréstimo ao Santos perto do fim, o jogador tem a intenção de seguir no Peixe, mas para isso depende do Benfica. O time português já rejeitou prorrogar a cessão do atacante por um período mais longo, e o Alvinegro Praiano corre atrás de, pelo menos, estender a ligação com a equipe santista por mais quatro dias. É que o empréstimo de Kardec ao Santos se encerra quatro dias antes do jogo de volta de uma possível final da Libertadores.
Mas mesmo diante deste cenário, Kardec não perde sua marca registrada, a tranquilidade.
- A possibilidade de ficar fora da final. Claro que passa na cabeça, mas meu pensamento sempre esteve na melhor das hipóteses. Não dá para entrar em desespero. Agora é aguardar. Sempre fui paciente, e agora não será diferente. O Santos está correndo atrás, e mesmo para o Benfica seria interessante, porque jogar uma final valoriza o atleta. Não tem outra coisa a fazer. Antes de pensar em final, temos o Corinthians pela frente, e temos que passar por eles. Mas é hora de manter o pensamento positivo - confia.



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